terça-feira, 18 de novembro de 2008

Branquinhas sofisticadas


A velha cachaça ganhou versões ousadas para atrair mais consumidores. Com a entrada em cena das versões saborizadas - de tangerina, limão e menta, entre outras - e das orgânicas, o mercado cresce e conquista os paladares mais sofisticados das classes A e B, além das mulheres. Para isso, mudam cor, embalagem, graduação alcoólica e sabor.
Numa época em que o ecologicamente correto ganha força, a orgânica surge com valores agregados como o equilíbrio ambiental e a responsabilidade social. "O consumidor sabe que não poluiu e que a produção não colocou a saúde de agricultores em risco com agrotóxicos", diz o comerciante Marcos Pazos Gonzáles, da loja Venda do Sítio, de Petrópolis, no Rio de Janeiro.
Com fama internacional, a paulista Tiquara ganhará um espaço exclusivo na Feira Nacional de Agricultura Familiar, que será realizada no Rio, este mês. Feita com cana biológica, em Jacuba, no interior de São Paulo, ela tem todo o processo manual. "Só eu e minha mulher produzimos os dez mil litros vendidos anualmente", diz Marcos Macedo, o criador. Tanto cuidado, obviamente, aumenta o preço da tradicional pinga, mas também modifica o ambiente em que ela é servida.
Os restaurantes já se adaptam aos novos tempos. O Aprazível, em Santa Teresa, no Rio, adotou a carta de cachaças, com 180 opções, no mesmo padrão que a dos vinhos. Segundo Pedro Honorato, um dos proprietários, é cada vez mais comum "ver casais em que o homem pede vinho e a mulher uma pinga." Atento à demanda, Honorato criou suas próprias marcas orgânicas: a Santa Cana, de quantidade limitada, e a São Pedro, feita em Angra dos Reis.
Também na onda, a gigante cearense Ypióca lançou, este ano, as cachaças saborizadas limão e frutas vermelhas e agora vai reduzir o teor alcoólico de 39° para 30°. A gerente Aline Telles afirma que, somadas à linha orgânica da empresa, as saborizadas já representam 15% da produção de 80 milhões de litros ao ano.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Entre crianças, cobras e crimes

A escritora canadense Tara Moss, 35 anos, é famosa por suas novelas policiais que são hoje best sellers na Austrália e foram traduzidas para dez idiomas e publicadas em 14 países. Após o lançamento dos primeiros romances, a estonteante beleza de Tara, que trabalhou muitos anos como modelo, ofuscou a sua carreira e até a autoria de seus livros foi questionada. As críticas eram de que ela usava a sensualidade para promover a sua literatura e que não escrevera um só capítulo das obras que lhe eram atribuídas. Uma década e quatro romances de sucesso depois, agora ela acredita que isso é assunto superado: "Ninguém duvida mais de que sou eu mesma que escrevo os meus livros", diz ela, que também é notícia por alguns hábitos excêntricos - cria imensas serpentes, que chegam a medir 2,5 metros, como animais de estimação (a que está na foto é uma píton e chama-se Gomez). E gosta de as enrolar em seu corpo enquanto escreve as suas histórias. Tara é apaixonada pelos répteis desde a infância e mantém em sua mansão em Sydney um criadouro para esses animais.O primeiro romance de Tara, Fetiche (Editora Fundamento, R$ 38,50, 310 págs.), acaba de ser lançado no Brasil. Foi escrito quando ela tinha 23 anos. Na história, um serial killer obcecado por belas mulheres adeptas do salto 15 as persegue e as mata com crueldade nunca vista pela polícia local. A jovem modelo Makedde Vanderwall, uma estudiosa de questões forenses, decide que fará tudo o que for possível para auxiliar na investigação e prisão do assassino de sua melhor amiga, Catherine. A protagonista é inspirada na própria biografia da autora, já que Tara é uma especialista em assuntos criminais, formada pela Academia Australiana de Investigação. Ela também trabalha na vida real como detetive particular, utilizando esse conhecimento para conferir mais credibilidade aos seus enredos. Fez o treinamento completo da Swat, esteve no FBI, na Suprema Corte e aprendeu a atirar e a voar em jatos da Aeronáutica. Atualmente ela apresenta um programa no National Geographic Channel chamado Tara Moss investigates, uma série de documentários sobre crimes. E a diversidade de atividades não termina por aí: a escritora é embaixadora do Unicef, onde trabalha voluntariamente cuidando de crianças cegas.A literatura e as cobras, porém, encabeçam a sua lista de paixões, conforme ela declara em seu site pessoal. Elegeu Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre como os seus grandes inspiradores. Embora o sucesso de suas novelas e a intrincada seqüência de mistérios que cria tenham levado alguns críticos a compararem o seu estilo ao da dama inglesa do policial, Agatha Christie, Tara prefere dizer que suas influências estão mais próximas do moderno universo de horror de Stephen King. Dá como exemplo um trecho do romance Fetiche em que o psicopata diz: "Havia o cheiro da devassidão pecaminosa, odor asqueroso de luxúria (...) ele acabou com aquilo e limpou a sua mãe nas chamas ardentes do inferno, fazendo da casa uma pira de chamas para os pecados dela." Outra referência que se percebe na obra é revelada nos relatos mais picantes e explícitos das cenas sensuais - lembram diretamente as narrativas do escritor americano Harold Robbins. E, seguindo a mesma linha que lhe rendeu fama, dinheiro e uma legião de fãs na Austrália, a escritora já prepara um novo romance para o próximo ano: Siren. A novela preserva a combinação de sexo, beleza, mistério, violência e uma boa dose de talento para a autopromoção, atributos que fizeram de Tara uma grande escritora e vendedora de best sellers. A ambição da novelista é expandir as suas fron - teiras na Austrália para todo o mundo. Certamente esse é o seu maior fetiche. E suas maiores aliadas são a própria beleza, a excentricidade e, claro, as serpentes.
fonte: ISTOÉ

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

"Relax"

O psicólogo inglês Richard Wiseman, da Universidade de Hertfordshire, inventou um lugar onde certamente a maioria das pessoas gostaria de passar boa parte do tempo. O especialista montou o que ele próprio chamou de “a sala mais relaxante do mundo”. Construído para ser exibido durante uma mostra de trabalhos produzidos pela instituição, o ambiente logo se transformou na principal atração do evento. E, segundo Wiseman, com certeza os visitantes saíram de lá muito mais relaxados do que entraram. Sua convicção se baseia no fato de que o lugar foi concebido de acordo com o conhecimento científico mais moderno sobre o stress, suas repercussões no organismo e as técnicas de controle disponíveis. “Tudo foi pensado para que as pessoas pudessem relaxar verdadeiramente”, disse o psicólogo à ISTOÉ.Foram permitidas visitas de grupos de dez pessoas por vez. Elas podiam ficar dentro da sala por 15 minutos. Neste tempo, eram convidadas a se deitar em um colchão muito macio e colocar a cabeça em um travesseiro repleto de aroma de lavanda. A planta é um recurso da aromaterapia para relaxar. Deitados, os visitantes podiam fixar os olhos em uma espécie de céu artificial azul. De acordo com os princípios da cromoterapia, a cor diminui a entrada de estímulos visuais para o cérebro. Isso propiciaria uma condição mais favorável para o afastamento de pensamentos estressantes. De tempos em tempos, um banho de luz verde envolvia a pessoa – ela eleva a produção da dopamina, substância importante no processamento do prazer e da sensação de bem-estar.A música que enchia o ambiente foi composta para a ocasião por Tim Blinko, colega de Wiseman. A canção tem ritmo suave e contínuo, sem mudanças bruscas. “No nosso processo de evolução, o perigo era quase sempre acompanhado de sons repentinos e inesperados”, explicou o psicólogo. “Por isso, o contrário, uma música que siga um compasso regular, acalma”, disse. Wiseman defende a idéia de que tudo pode ser adotado para criar um ambiente anti-stress em casa ou no trabalho. “Pode-se, por exemplo, ouvir as Quatro Estações, de Antonio Vivaldi, e usar os óleos essenciais de lavanda para perfumar os cômodos”, explicou.