
- A vida secreta de Diablo Cody
O livro preserva o mesmo tom bemhumorado, ácido e ágil dos diálogos que fizeram do filme Juno um grande sucesso de público. Diablo vai contando a sua história sem julgamentos ou a intenção de passar uma mensagem e quase sempre revelando momentos constrangedores e cômicos que ela própria vivenciou. Ela deixa a sua casa aos 23 anos para viver com um rapaz que conhecera pela internet. Após alguns meses, entediada em seu trabalho como digitadora de uma agência de publicidade, inscreveu-se numa seleção de strippers numa tosca casa de shows da cidade. Achou que a experiência poderia ser divertida. Nessa época, Diablo era uma menina roqueira que usava camisas de flanela xadrez, tênis All Star de cano alto e tinha os cabelos pretos cortados em forma de cuia. "Era magricela (nós neuróticas geralmente somos assim), mas tinha a carne fraca e molenga de alguém que gosta de computadores e não de esportes pesados. Eu estava a dois mil anos-luz de uma Pamela Anderson como uma stripper chique convencional." Os dedos de suas mãos exibiam unhas em meia-lua devido ao seu hábito de roê-las. Mesmo assim, ela decidiu arriscar e foi contratada.
Gostou do que experimentou e chegou a trabalhar em média nove horas por dia, intensamente. Ela largou o emprego, e passou para a equipe permanente da boate Skyway Lounge em tempo integral. E o que leva uma menina de classe média, que cursou bons colégios e faculdade, a viajar para Minnesota e tirar a roupa numa boate de strip-tease? Na primeira linha de seu livro ela diz: "Ninguém vem a Minnesota para tirar a roupa. Pessoas assim são classificadas por aqui, na melhor das hipóteses, como 'diferentes'." E Diablo fornece algumas alternativas para explicar a sua decisão: "Eu tinha ido parar nessa história principalmente por prazer, para ser uma espécie de Maria Madalena devassa que fora ultrajada nas igrejas da minha juventude", escreve ela. "Eu nunca roubei um batom e terminei a faculdade em oito semestres certinho. Eu era um saco, queridos."
Após alguns meses de experiência, Diablo elege as melhores músicas para se tirar a roupa, e na sua lista estão Honky tonk woman, dos Rolling Stones, Hash pipe, do Weezer, e Purple rain, do Prince. Ela trabalhou em diversas casas de striptease e logo descobriu o lado perverso da profissão - houve um cliente mexicano que mordeu os seus seios até que sangrassem e um outro, indiano, que a assediou sexualmente de forma agressiva. Ela também presenciou situações dramáticas envolvendo suas colegas de trabalho. Mergulhou no mundo cão. Em algumas passagens, revela situações patéticas, como um teste em que ela fica presa ao poste onde deveria girar pelo salto de seu sapato e cai. "Eu me perguntei se sobreviveria ao teste sem esmagar o meu cóccix e passar o resto da minha carreira de digitadora sentada numa almofada inflável em forma de anel." Ela não só sobreviveu como soube transformar a sua faceta secreta num best-seller que já está entre os dez livros mais vendidos, segundo o jornal The New York Times.
[Natália Rangel]
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